Ministro
afirma que empresas que omitirem dados sobre igualdade salarial serão
fiscalizadas e receberão atenção especializada.
Ministro do Trabalho e Emprego ainda aproveitou a ocasião para comentar sobre as empresas que conseguiram a isenção da divulgação do relatório de transparência salarial.
Nesta terça-feira (30), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que as empresas que omitirem dados sobre igualdade salarial terão “um olhar especializado” da área de fiscalização da sua pasta.
Durante coletiva de imprensa para apresentar dados do Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Novo Caged), o ministro afirmou: “Se querem
atenção, terão uma atenção”.
Marinho comentou ainda sobre a decisão da Justiça Federal que liberou
alguns segmentos, como farmácias e universidades, de divulgarem as informações
de transparência salarial e de critérios remuneratórios previstos na
regulamentação da Lei da Igualdade Salarial.
“Se tem coisa a esconder, vamos olhar. Então, essas [empresas] terão
nossa atenção. E se trata de tão poucas, que nos aguardem a atenção. Mas elas
podem, ainda, se quiserem voltar atrás. Estamos abertos a dialogar. Esses
segmentos que não nos procurarem para o diálogo receberão a visita do
auditor-fiscal para observar o que é que eles querem esconder”, disse,
lembrando que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) , de 1943, prevê
fiscalizações das normas trabalhistas.
Segundo o ministério, das cerca de 50 mil empresas que se enquadram na
lei, menos de 300 receberam autorização para omitir os dados. “Estamos falando
de um número insignificante do ponto de vista de quantitativo”, disse,
enaltecendo as empresas que estão “entendendo o espírito da lei e estão
colaborando” para a política pública.
“A grande massa de empresas respondeu os dados, então queria agradecer a
visão da grande maioria, esmagadora maioria dos nossos empregadores e
empregadoras que responderam tranquilamente, com seriedade, as informações que
nós estamos pedindo”, disse. “Chama atenção quem está resistindo, recorrendo ao
Judiciário, que talvez esse não seja o melhor caminho. Se tem algum problema, a
gente analisa, conversa, constrói, até porque nossa visão não é de autuar, de
castigar, nada, muito pelo contrário, é de construir a partir do direito das
mulheres de ter salário igual”, acrescentou.
Entenda a lei por trás disso
A Lei da Igualdade Salarial, sancionada em julho do ano passado, torna
obrigatória a igualdade salarial entre homens e mulheres quando exercerem
trabalho equivalente ou a mesma função. As regras valem para empresas com 100
ou mais empregados e que tenham sede, filial ou representação no Brasil.
No mês passado, as confederações nacionais da Indústria (CNI) e do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) entraram com uma ação direta de
inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a Lei de Igualdade
Salarial entre os gêneros. A ação, ainda sem decisão, pede uma medida cautelar
para suspender os efeitos de alguns dos dispositivos, entre eles, o que
determina a divulgação de relatórios de transparência salarial, explicando os
critérios para os pagamentos. As confederações alegam que há risco de
divulgação de dados individualizados, o que violaria o direito à privacidade.
Entretanto, de acordo com o ministro Luiz Marinho, os dados de
transparência não são individualizados, “portanto não há qualquer razão para
essa resistência”.
Na ação, as entidades alegam que não pretendem questionar o princípio da
isonomia, mas "a necessidade de adequação da lei, para que desigualdades
legítimas e objetivas, como o tempo na função e na empresa, e a perfeição
técnica do trabalho, não sejam consideradas como discriminação por
gênero". Elas argumentam ainda que a exigência da divulgação de relatório
de transparência salarial e aplicação de sanções a qualquer caso de diferença
de remuneração são injustas, e justificam que planos de carreiras no meio
corporativo vão além da questão de gênero.
Segundo Luiz Marinho, a transparência sobre a igualdade salarial será um
dos temas a serem tratados pelo governo no âmbito das comemorações do 1º de
Maio – Dia do Trabalhador. “É preciso chamar atenção do mundo empresarial, da
necessidade de as empresas trabalharem com uma visão humanista em relação às
necessidades e ao respeito aos direitos humanos, de homens e mulheres, em
particular nesse debate, das mulheres”, disse.
Com informações Agência Brasil

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