Reforma
tributária vai impulsionar a modernização da Construção Civil no Brasil
Economista
fala sobre os impactos da Reforma Tributária na Construção Civil brasileira
A construção civil moderna integra tecnologias avançadas e práticas sustentáveis para otimizar a eficiência e a qualidade das obras. O uso de softwares de modelagem da informação da construção (BIM) permite o planejamento detalhado e a visualização tridimensional dos projetos, facilitando a coordenação entre arquitetos, engenheiros e construtores.
Materiais
inovadores, como concreto de alto desempenho e aço de alta resistência,
aumentam a durabilidade e a segurança das estruturas. Além disso, a
implementação de técnicas de construção modular e pré-fabricada reduz o tempo
de construção e o desperdício de materiais. Práticas sustentáveis, como a
utilização de fontes de energia renováveis e a gestão eficiente de resíduos,
são cada vez mais adotadas para minimizar o impacto ambiental e promover
edificações verdes.
Países
modernos, especialmente a China, vêm revolucionando o setor há décadas,
demonstrando a eficiência dessas abordagens, como construir prédios
residenciais, hospitais e viadutos em poucos dias. Já o modelo brasileiro ainda
está no século passado, utilizando predominantemente concreto armado e
alvenaria para a estruturação de edificações, com mão de obra intensiva. A
burocracia, a informalidade no setor e o modelo de tributação atual são grandes
barreiras para a modernização.
A alta
carga tributária sobre o setor industrial, com a incidência de IPI e ICMS, eleva
o custo dos materiais em até 50%. Já a aquisição de concreto, por exemplo, é
tributada pelo ISS, com uma alíquota mais de dez vezes menor, o que faz muitos
insumos necessários para a construção civil serem produzidos diretamente no
canteiro de obras para evitar a tributação.
Impacto, aumento, dificuldades
A reforma
tributária terá um grande impacto no modelo atual de construção civil, com um
aumento significativo da carga inicial. Por exemplo, a alíquota do concreto
pode subir de 2% a 5% (atualmente as alíquotas de ISS) para 25% a 27% com
o IBS.
Esse aumento expressivo no principal insumo da construção, aliado a desafios
como a resistência cultural à mudança, a falta de capacitação e treinamento
especializado, o alto custo inicial de investimento em novas tecnologias e
equipamentos, a burocracia excessiva e a complexidade regulatória, dificultará
a inovação.
Além disso,
a instabilidade econômica e política pode desincentivar investimentos em
modernização, enquanto a informalidade no setor reduz a capacidade de aplicar e
fiscalizar novas práticas tecnológicas de maneira uniforme.
Embora a
reforma tributária tenha o potencial de modernizar o sistema, sem políticas
públicas eficientes, o resultado pode ser desastroso para diversos setores da
economia, especialmente a construção civil. Isso porque a não modernização pode
acarretar aumentos significativos nos custos, prejudicando o investimento em
infraestrutura e moradia, e, consequentemente, o crescimento econômico do
país.
Portanto, é
essencial que o governo invista em capacitação profissional e infraestrutura,
além de incentivar uma economia mais dinâmica. Só assim será possível para o
setor realizar uma transição bem-sucedida para a nova realidade tributária.
Publicado por
RENATO CALIMAN
Portal contábeis

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